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domingo, 18 de setembro de 2011

A Química da Paixão


Alguém pode me dizer
Se estava prevista na palma da minha mão
Esta paixão inesperada
Se estava já escrita e demarcada
Na linha da minha vida
Se fazia já parte da estrada
E tinha que ser vivida?

(Bruna Lombardi)


"De repente, não mais que de repente", aquele alguém aparece, do nada, como se esse encontro tivesse sido premeditado para ser assim: o momento era propício, seguido do encanto (que foi recíproco), a expectativa (que nasceu espontaneamente), com cara de domingo e gosto de aventura, sem pressa de acontecer... Mas num insight, aconteceu!


Isso não tem nada a ver com destino, mas com uma espécie de química, que conduz toda a magia de olhares que se seguem, de gestos que se completam, de palavras que se encaixam, de vontades que convergem para um único fim: conciliar as sensações. São os instintos emocionais de ambos, que entram no jogo e só aquele alguém é capaz de fazê-lo jogar.

Estamos suscetíveis a algumas pessoas, isso é fato: é o jeito de chegar, o toque das mãos que deslizam pelo braço, um modo de mexer nos cabelos, a vontade de aproximar mais, um pouco mais, sentir o perfume, o cheiro, a busca pelo desejo incontrolável de união, fusão, descoberta, exploração... Tem que ser com ela, tem que ser com ele.

Essa explosão de impulsos, seguida de outros estímulos, como ambiente e situação, além das dopaminas e serotoninas que afloram pelo corpo, oportuniza os pré-amantes a viver essa experiência, independente de idade, conduta ou impedimentos. É um emergir do lugar-comum para um recanto qualquer do Olimpo, cercado de ébanos, ao som de cítaras.

E nessa viagem sem volta rumo ao desconhecido todos os sensores são estimulados ao mesmo tempo, permitindo-se pôr em febre, um misto quente de emoções que ativa os mecanismos cerebrais e os coloca em ação constante. O resultado é a satisfação física e emocional mútua, algo que fica entre paixão e prazer.

O apetite vai faltar, as mãos vão suar, o coração andará em sobressaltos, o riso será solto, o dia, de nuvens, e a noite de sonhos. É um estado de concepção mística dos sentidos, beirando quase um amor cortês, com direito a um prelúdio de Romeu e Julieta ou Tristão e Isolda, que tão bem exemplificam essa condição amorosa.

A química da paixão é uma espécie de paradoxo entre realidade e fantasia, nada o fará perder o humor e a vontade de viver, pelo menos enquanto durar esse estágio intenso de arrebatamento sentimental. É uma contemplação de si e do outro, em estado de graça. Uma fome que não sacia, uma perfeição inventada a dois.

Em suma, esse poder afrodisíaco que um apaixonado exerce sobre o outro opera revoluções. É um vício, uma fonte inesgotável de contentamento, um antídoto contra a tristeza... Há, por ora, um apagamento de experiências passadas, dores mal curadas, alegrias tímidas, carências mal resolvidas. É uma página colorida, rabiscada com as digitais.

Não há quem já não tenha passado (ou está passando) por essa pseudoloucura de envolvimento. E ela tem sabor de pecado, deixa marcas na pele, dilata as pupilas, exala tesão, faz se contorcer e suar, desalinha o certo e amotina o duvidoso. Portanto, quando essa química pintar na sua vida, mergulhe fundo e embeba-se de prazer.

A idade da loba


Sempre ouvi falar que os homens quando chegam aos 40 anos vivem a idade do lobo. "(...) se referindo a vitalidade sexual, passam a adotar atitudes de auto-afirmação de juventude e virilidade por não aceitar o próprio envelhecimento". É a história de querer "comer a chapeuzinho", ou ficar com mulheres mais jovens para se auto-afirmarem.
No mesmo artigo da Wikipédia, A origem do termo idade da loba, leio que...
"A origem do termo "idade da loba" é em razão do título de um livro "Quarenta: a idade da loba", de Regina Lemos. O livro retrata as mudanças no universo feminino (...), quando essas passaram a ir de frente aos padrões de comportamento da época. A autora se refere à essas mulheres como lobas, em alusão ao fato de elas se rebelaram contra a condição de chapeuzinho vermelho, para se equipararem aos homens, ou ao lobo mau. Assim, com a liberação sexual, as mulheres que se rebelaram com essa condição inferior também começaram a assumir a postura de loba má, mandando um recado bem direto: não são só os machos que podem fazer suas presas."

Me acho mais parecida com os homens no sentido de estar sempre buscando uma auto-afirmação por meio da atração sexual. Se os homens de 40 usam armas até financeiras para atraírem suas "vítimas", eu tento ver no espelho o atrativo físico e, por dentro, o atrativo da experiência e da vitalidade sexual. Sou uma "loba má"? Já passei da fase do romantismo... E também tenho medo de envelhecer. Gosto do jogo da sedução, de me sentir atraente, e isso com o passar dos anos vai-se tornando bem mais difícil...
Encontrei outras coisas interessantes...

"O que é estar na idade da loba? é quando a mulher completa 40 anos... e esta numa fase segura de si, com certezas que não existiam antes, com uma certa estabilidade em sua vida, onde a maturidade fez dela uma mulher além de tudo bonita, pois essa maturidade exterioriza a beleza da experiência de vida... onde sua sexualidade está mais aflorada do que nunca e nessa idade conhecemos muitos segredos que a vida nos mostrou, nos ensinou." (A IDADE DA LOBA.......kkkkkk)
Eu me sinto bem assim, mas às vezes baixa a auto-estima... vem uma dorzinha na coluna para lembrar a idade em que estamos e todos os exageros que cometemos, pelos quais agora estamos pagando... E por outro lado, às vezes dá vontade jogar fora toda essa "estabilidade" e começar tudo de novo, seguir outros caminhos!
"Aos 40 anos, a mulher entra na “idade da loba”. É o momento de maturidade e intimidade sexual. A mulher é experiente, conhece totalmente o próprio corpo, é mais exigente consigo mesma e com o parceiro." (Yahoo Respostas)
E o desejo sexual aumenta e muito! Quando eu estava com 30 e poucos anos, me achava insaciável! Agora vejo que com o tempo só piora, com o "agravante" de querer qualidade além da quantidade!
"A idade da Loba, é uma fase muito importante da vida das mulheres...Nesta idade elas já sabem exatamente o que elas querem! Ao chegar aos 40, elas normalmente já criaram os seus filhos, já se firmaram no campo econômico, já tornaram reais muitos dos seus sonhos de juventude! Então é chegada a hora de viver para elas! De satisfazer seu eu, de deixar um pouco mais de lado o seu lado mãe, esposa, dona de casa. É sentir-se maravilhosa!! e não estar nem ai se os outros não a acham tão maravilhosa assim, é dar mais amor e atenção a si mesma , ao seu companheiro...E pricipalmente descobrir que além de super mãe, ou super esposa ela pode também ser uma super mulher...Sem nenhuma modéstia!!!" (Yahoo Respostas)
Eu vivi tudo isso, mas de uma forma equivocada. Não me firmei completamente no campo econômico, nem realizei certos sonhos de juventude... mas quis deixar de lado meu lado mãe, dona de casa e até esposa (!!!) para viver certas emoções às quais achava que tinha direito de viver, até por que o tempo não volta. E agora estou aqui, me questionando sobre o que é realmente a idade da loba. O que é a idade da loba para você?

Os segredos da loba

“Estou na fase da loba, me sinto plena de mim”. Como um cochicho, a frase chegou aos meus ouvidos, quase um sussurro entre um uísque e outro, na festa de aniversário de um amigo, numa dessas noites. Conversávamos, algumas pessoas na mesa e a noite ia adiantada. Na hora em que a frase visitou a esquina da minha orelha foi como o estalo de um chicote determinado, um certo calor na voz mas, em seu bojo, havia a segurança de uma mulher que sentia a necessidade de falar aquela frase, como um anúncio de que havia perigo no ar, que o frisson que visitara meu cangote era gerado de uma fonte onde havia turbilhões de energia  vulcânica em suspensão, lavas magmáticas de paixões incandescentes que podiam aflorar num piscar de olhos. Com um giro lento de cabeça, ousei encarar a face da loba que resolvera chegar ao começo da madrugada uivando baixo e trazendo-me uma certa perplexidade gerada por aquela voz quente, rasgo de noturno verão, cheiro de doce perigo no ar.


    A mulher, quando é resolvida, fruta maturada, sabe ter a esperteza da loba e sabe sobreviver sem matilha. Amiga da lua, prima do sol, conhece cada segredo dos lugares por onde anda; deixa seu cheiro, seu almíscar em cada pele visitada, como antiga tatuagem ou cicatriz de velhas batalhas. A idade da loba dá, à mulher, a certeza da aura que clareia os caminhos eleitos por ela, apenas por ela. Aos machos mais frágeis, desacostumados a enfrentar a altivez sensual da mulher-loba, resta o medo, a fuga, como acontece com muitos, ainda não temperados nos mistérios dos sortilégios que envolvem essa raça de pêlo brilhante, farto, eriçado ao mínimo toque na hora do encontro selvagem.

    A mulher-loba conhece o poder de suas garras, o laivo de sangue dos seus olhos determinados.Para ela, não há mistérios no amor nem discussões existenciais no silêncio morno do quarto amanhecido com jeito de ter enfrentado o fragor de um doce embate. Ela sabe os caminhos traçados em sua bússola.

    A mulher-loba guarda seus uivos para os momentos mais profanos, quando eriça o pêlo e se encharca de vinho, te olha e ensaia um tango com, um jeito de quem conhece velhos segredos de bandoneons platinos. Segura de si, é capaz de eleger em seu guarda-roupa um vestido vermelho quando o tom da moda é a cor clara e sair por aí, requebrando as ancas fartas apenas para provocar um frevo doido nos olhos dos homens que passam. A mulher-loba é colombina, cigana e tem nos ombros  a pele trigueira das mulheres da Andaluzia.

A mulher-loba sabe delimitar como ninguém os espaços da sua área de caça. Ela é a guerreira, a que atiça a caça e conhece como ninguém os perigosos caminhos da jugular.

    Como uma fruta madura, a mulher-loba conhece o momento da plenitude da sua estação. Mas a colheita, é ela quem determina, guardiã zelosa da seiva que escorre das suas raízes.